mercoledì, dicembre 09, 2009

 

Faz a fama e deita na cama

Eu sou desconfiada. Muito.

Até tenho facilidade para conversar com as pessoas que estão de passagem pelas ruas, mas na convivência diária eu sou mais ponderada. Não falo com qualquer um sobre minha vida privada e como estou de saco cheio de onde eu trampo não faço questão de me entrosar com as pessoas, exceto com as que eu simpatizo.

O resto é o resto. Convivo porque sou obrigada.

Estagiária: "- Ai, mas você tem cara de brava, Sakana!"
Sakana: "- Mas eu sou brava!"
Japa doida: "- É nada! Você não é tão brava assim! É a japa mais paraguaia que eu conheço! Doida de pedra!"
Estagiária: "- Ééé? Nossa, eu faço uma imagem totalmente diferente de você!"
Sakana: "- Eu sou quieta, fico na minha!"
Japa doida: "- Ahahahah! Essa mulé é a mais desbocada e engraçada que eu conheço!"
Estagiária: "- ???"

Tenho tanto trabalho para construir minha fama de má e vem alguém e me desmoraliza, tsc, tsc, tsc...

giovedì, dicembre 03, 2009

 

Eu e minha moralidade

Se tem um troço que aprendi com os nipônicos é dividir e pensar no coletivo. Quando juntamos a parentada é de praxe cada família levar um prato, bebida, frutas ou sobremesa para contribuir com o anfitrião que já está abrindo as portas da sua casa. No final, o que sobra (e sobra muita coisa) é dividido entre todos e cada um leva embora um pratinho ou dois.

Neste ano teve uma tal de festa julina aqui na agência que eu, mizifia e a outra japa doida nos animamos em organizar. Arrependimento. Primeiro porque tivemos que aturar os olhares tortos dos mais anciãos que nunca se movimentaram para fazer nada entre a equipe. Segundo porque eles se sentiram preteridos por não terem sido consultados sobre a realização do evento. Até por causa do lay-out do convite, que eu muito toscamente fiz no ppt, o chefe implicou: olhou o comunicado e resolveu que ELE iria fazer um melhor. Perdeu horas e acabou nem enviando porque perdeu a data do envio, dããã!

Mesmo desanimadas com as picuinhas e mesmo tendo sido particularmente humilhada, por causa de um trabalho que não era de minha competência na semana da festa, o “arraiá” saiu. Churrasquinho, comida típica, dança, decoração etc... No final, eu e a japa nos prontificamos em dividir os comes que sobraram entre todos. Quando os pratinhos ficaram prontos, foi estranho para mim ver a reação de espanto da galera: “- Poxa, que legal! Se fosse na minha família já tinha dado briga!”

Como a agência se especializou em fazer eventos para empresas, e nesse período tem acontecido vários, muitos itens têm retornado. Segunda-feira, Craudinha Buchecha pegou vários displays de drops e encheu um aquário redondo com mais de 100 unidades deles, fora uma série de outras guloseimas que estava recheando a copa. Eu catei dois drops e pus na bolsa, no que ela me cutucou: “- Pega mais, porque vai acabar!” Nem dei bola para o alerta tamanho era a quantidade de balas que tinha no vaso.

Antes de ir embora, vi meio ressabiada que o pote já estava pela metade e na manhã seguinte? Bingo! Não tinha mais nada. Eu deveria cagar e andar para isso, porque essas porras já estão mais do que pagas e nem posso consumi-las por causa da diabetes, mas, sinceramente? Me incomodei sim. Acho o fim da picada esse mal comportamento, essa mania que muitas pessoas têm de levar vantagem em tudo. Tenho ódio de gente esganada e que não se toca que está convivendo com outras pessoas.

Confesso que me senti atentada em encher as mãos de doces e sair correndo feito criança feliz com o prêmio, mas, nessas situações sempre lembro da minha rigorosa mãe ralhando a mim e às minhas irmãs: “- Tenham modos! Quando alguém lhes oferecer alguma coisa para comer peguem só um e nunca peguem nada que não seja oferecido! Deus que me livre os outros saírem por aí falando que vocês passam fome!”

Essa foi a sensação que tive quando vi o pote vazio: de que as pessoas daqui (não sei quem foi) brigam por causa de mistura na hora da janta. Sarcasticamente soltei uma pergunta: “- Quem é que está fazendo freela de vendedor de balas de farol à noite?” A reação: “eu não fui”, “nem cheguei perto”, “eu catei o último pacotinho que estava no fundo da caixa”, “estou de dieta”... Diante da fome não há compostura, mas não há miseráveis aqui. Se não pegaram por necessidade (quem é que consegue consumir tanto Halls que nem mastigável é?), mas por ganância aí é falta de caráter. Porque eu julgo ser roubo, pois NINGUÉM autorizou que se levasse para casa seja para presentear a família, para dar a quem precisa ou para abastecer a bomboniére que a tia velha mantém na garagem.

Resultado final do assalto à copa, de segunda para terça-feira: cento e tantos drops evaporaram, uma das 4 caixas de pastilhas de chocolate sumiu, um pote de paçoca já era, outro de pé de moleque ficou pela metade, 11 das 20 caixas de Bis foram devoradas, 1 de 3 displays de amendoins salgados enfiaram no rabo. Somos em quantos mesmo? Quarenta? Cinqüenta? Não. Doze.

Eu tinha quase zero de respeito pelos profissionais daqui. Depois da selvageria que presenciei esse número caiu para menos zero.

mercoledì, dicembre 02, 2009

 

Adeus




Desde que me conheço por gente eu assisto ao Silvio Santos aos domingos. Ele reinava em casa e meu pai tinha que se contentar em ouvir a transmissão dos jogos de futebol no rádio a pilha. Na década de 70 e comecinho de 80, era um luxo impraticável para a classe média e para os trabalhadores comuns terem dois aparelhos de TVs, então, minha mãe ditava o que assistir.

Antes do maior apresentador brasileiro animar nossos domingos, víamos os programas do Nelson e Susana Matsuda e da maluquinha Rosa Myake, dirigidos à comunidade nipônica. Mas lembro-me perfeitamente do cheiro de comida que pairava no ar, enquanto assistia ao Domingo no Parque e nas longas tardes tediosas, quando a gente não saía para passear em família, vendo o Qual é a Música e depois, à noite, o bizarro Show de Calouros.

Agora esses programas vão ficar meio sem graça. Lanço aqui uma teoria: que o Silvio Santos só conquistou parte do seu grande sucesso, porque ele mantinha um certo homem de voz particular muito bem escondido atrás de um biombo. Claro que estou falando do sem rosto, e recém-falecido, Lombardi.

Ele era o locutor oficial do Señor Abravanel há uns quarenta anos. E poucas vezes foram divulgadas fotos dele. Era divertido ver aquele animador de auditório e de cabelos cor de acaju interagindo com um ser imaginário, cuja voz saía não sei de onde. Era como se o Lombardi fosse aquele amiguinho invisível com quem a gente conversava quando criança. Ou conversa, sei lá!

Não sei se o Silvio tinha um plano B para substituir a sua estrela oculta, creio que não pois seria o mesmo que tentar colocar um sósia do “patrão”, mas eu não consigo pensar noutro locutor apresentando os números da Tele Sena. Tente imaginar, por exemplo, o mala do Galvão fazendo isso.

Outra coisa: Silvio Santos sem Lombardi é algo assim como Claudinho sem Buchecha ou a Pepê (ou seria Tetê?) sem a Neném. Vá em paz...

martedì, dicembre 01, 2009

 

"- Não deixo meu filho com a Sakana de jeito nenhum!"


Reza a lenda que eu belisco crianças, faço caretas e taco fogo nos cabelos dos pequenos e essas acusações têm fundamentos.

Uma vez eu belisquei a mãozinha de um filho do meu primo, porque ele meteu a cara na minha irmã caçula e meu sangue subiu. Outro dia um moleque que estava no colo da mãe mostrou-me a língua e eu lhe devolvi o desaforo. Já tacar fogo nas madeixas não é verdade, mas eu fico atentada em cometer tal ato quando a criança apronta e os pais são omissos.

À parte dessas situações, o fato de eu não querer ter filhos nada tem a ver com o fato de não gostar de crianças. Eu gosto delas bem alimentadas, de banho tomado e dormindo. Tirando os filhos dos parentes e de alguns poucos amigos, os rebentos alheios só são bonitos e engraçadinhos para os próprios genitores. Não para mim.

Obs.: e quem foi que disse que criança branca, de olhos azuis, cabelos loiros e cacheados são os protótipos dos anjinhos? Ah, sim. Nós os publicitários. Que mal gosto, tsc, tsc, tsc. :P

lunedì, novembre 30, 2009

 

Menção Honrosa



Eu já tive alguns blogs. Comecei com o Comédias da Vida Privada no extinto (ou será que ainda existe) Weblogger. Dos três ou quatro que eu tive este primeiro foi o único que tive alguma pretensão literária. As palavras eram mais sutis, mas a dimensão que o blog atingiu me assustou - pois as pessoas entravam para me amaldiçoar ou me achincalhar - e resolvi acabar com ele, além dos inúmeros problemas que o antigo provedor começou a apresentar. Depois fiz um outro para esconder-me das pessoas e que não era público, em paralelo a este tive um blog de uma aventureira sexual para compensar a falta da prática. Aí veio o famigerado CrOMOSSOMOS que eu escrevia em dupla com o Simon Templar, um italiano da pá virada. Resolvemos "matá-lo" por falta de incentivo e problemas pessoais. E finalmente surgiu o Sakanagem.

Tem muita gente que diz que blog é coisa de adolescente. É a versão moderna daquele caderninho que as meninas tinham e que vinha com cadeado. Eu considero blog uma parte essencial em meu trabalho e em minha vida pessoal. É uma forma de exorcizar meus fantasmas, mágoas, registrar alegrias e, de certa forma, fazer terapia (já que não tenho grana para pagar a conta do analista). Também o uso para desopilar meu fígado.

Por isso meus posts são ácidos e irônicos. Sem querer, ao vomitar minhas neuras, eu acabo estapeando outras pessoas. Já me convidaram para participar de blogs coletivos, no que eu recusei prontamente, pois postar para mim é algo muito particular e descompromissado. Gosto de fazê-lo para mim, se outras pessoas o leem e se identificam ou se sentem insultadas já é consequência por mantê-lo aberto. Até por esta razão eu não busco aumentar o número de visitantes por aqui.

Seria muito hipócrita se não assumisse que gosto de ler os comentários deixados. É bom saber que não sou louca sozinha e mesmo que há gente que discorda radicalmente de mim. Gosto sim e isso mexe com minha vaidade. Fico sinceramente feliz quando me dão uma menção honrosa como na simbolizada na imagem acima, dada pelo recente leitor Marcelo Mayer. Mas se eu realmente tivesse pretensão de fazer obras do naipe do meu adorado Luis Fernando Veríssimo, eu estaria estudando e investindo em minha carreira de escritora. Não o faço, porque julgo-me ser só mais do mesmo que sabe montar um quebra-cabeça com as palavras.

Já compararam meu estilo de escrita próxima à do Bukowski ou aos dos beatniks. Não à toa. Eu os leio e talvez isso me influencie, mas para escrever como eles, precisaria ter levado a vida deles e eu estou bem longe disso. Apenas posso escrever sobre aquilo que sinto e que vejo. Não se enganem, minha visão de mundo é limitada: é um certo olhar de uma redatora publicitária que não curte a agência que trampa, quase não assiste à TV paga, que não curte todo tipo de filme hollywoodiano, não ouve qualquer banda de emos, não dança ao som da Ivete Sangalo e não vê muita graça em sair pela noite paulistana.

Para desmistificar-me: sou só mais uma em meio a uma multidão. A única coisa que talvez seja verdade sobre mim é que tenho o pavio curto. Obrigada por terem lido até o final este post. É curioso saber que minhas palavras mexem com a emoção das pessoas.

venerdì, novembre 27, 2009

 

Inimigo secreto no coração dos cristãos

A maior prova de que raramente temos amigos dentro do escritório é a falta de bom senso e de tato na hora de presentear uma pessoa no dia do seu aniversário, quando ridiculamente cantam aquele “parabéns pra você” animado e quando chega o famigerado amigo secreto de fim de ano. Nem os pais da gente as vezes acertam, quem dirá aquele fulaninho que você é obrigado a aturar todos os dias e ainda por cima tem bafo e sovaco fedorento.

Nos últimos anos não tenho permitido que comprem o bolo de massa ressecada e cobertura gordurosa da padaria da esquina. Primeiro porque geralmente falto, quando vou dou a desculpa de que sou diabética e que a não ser que comprem uma guloseima sem açúcar – que é difícil de achar e extremamente cara – então que é uma tremenda sakanagem me fazerem passar vergonha e assoprar velinhas sendo que nem vou poder comer do meu próprio bolo.

Eu gosto de participar de amigo secreto – aliás, adoro! – porque é uma forma de economizar uma grana quando tem-se uma família tão grande como a minha, mas desde que não seja aquela coisa forçada entre colegas de firma e desde que seja entre pessoas amigas. Erga a mão e assuma – sem ser os puxa-sacos de plantão (essa é para você que não foi convidada para estar aqui no meu blog porque fuçou no histórico do meu pc) – quem é que gosta de tirar o chefe ou o dono da empresa: “- Xiii, fudeu! Vou ter que gastar o dobro para agradar esse filho da puta!”

Em geral, pessoas de melhor poder aquisitivo ou de cargo hierárquico superior dão presentes ruins. Minha irmã, por exemplo, é vítima de professores. No amigo secreto da Páscoa ela ganhou um coelhinho de chocolate oco, quando o estipulado foi uma caixa de bombons. No de natal a professora caprichou: pegou uma fivela de arames enferrujados (juro que é verdade) e deu para ela prender seus longos e belos cabelos. Nesse dia, nem eu que sou tão sakana consegui rir da sua sorte, chorei junto com ela.

Um amigo meu ganhou da chefa, que era judia, uma estrela dourada de Davi para ele pendurar talvez no pau duro na hora do ato sexual. E a desgraçada ganhou um perfume importado caríssimo. Finalmente o dono de uma das agências em que eu trampei me deu uma blusa de linho na cor mostarda e de mangas compridas, em pleno verão de dezembro.

“- Ahhh, Sakana, mas e o espírito de natal? Um novo ano vai começar! É tempo de esquecermos o que aconteceu, de renovarmos as esperanças de um amanhã melhor e...”

Pessoas de boa fé e de bom coração, essas mensagens não me atingem. Por que é que vocês não têm dessas boas intenções o ano todo? Por que é que ao invés de orar para o Deus de vocês uma vez por semana ou quando estão aflitos, não levantam a bunda da cadeira e vão reformar um asilo? Ao invés de gastar os tubos com o pet não revertem uma parte para uma criança abandonada?

Rá. Depois a cínica sou eu que não sou cristã.

giovedì, novembre 26, 2009

 

Duracell

Só que um dia a energia das pilhas também se acabam. Mesmo daquelas que duram, duram, duram...

Estou apática. Todo fim de ano é meio tenso para mim. Há quase dez anos, em dezembro, vivo com vontade de ir embora de vez e não mais voltar.

Um dia tomo coragem. Um dia. Um dia quem sabe nasce uma criança de dentro de mim e "ciao, ciao per tutti quanti"!

Vou sem nem olhar para trás.


Obs.: sim, estou nostálgica só ouvindo Pino Daniele no MP3. Me arrependo de ter jogado fora o k-7 do Luna Pop.

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